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Especial: os 200 anos da morte de Jane Austen


Dois séculos depois de seu tempo, ela é conhecida e amada no mundo todo pelo olhar irônico e afiado com que retratou a sociedade inglesa da virada dos séculos 18/19. O dia 18 de julho de 2017 marca o 200º aniversário da morte de Jane Austen, autora de Emma, Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Persuasão, entre outras obras. Para marcar o "Jane Austen 200", vamos atualizar o que os pesquisadores descobriram sobre a vida de Jane e fazer um apanhado do melhor que se pode encontrar no YouTube sobre essa grande autora.

Apesar de ser famosa atualmente, a biografia de Austen é envolta em mistério, principalmente no que se refere aos assuntos do coração e até à própria causa da morte. Naquele tempo, as mulheres inglesas levavam uma vida reclusa e cheia de limitações. Os poucos registros que existem da vida cotidiana da autora são, em sua maioria, as cartas enviadas por ela para os parentes. Foi um período em que a sobrevivência feminina quase sempre dependia de pais, irmãos e maridos - situação que, aliás, tornava o casamento uma questão crucial, bem retratada em seus romances.

O básico sobre Jane

Jane Austen nasceu dia 16 de dezembro de 1775 em Steventon, Hampshire, na Inglaterra. Filha do reverendo George Austen e de sua esposa Cassandra, foi a segunda mulher dentre sete irmãos numa casa cheia de livros a que todos tinham acesso. Mas, apesar do bom nível cultural e de terem algum status na pequena comunidade em que viviam, os Austen não tinham dinheiro.


Sua irmã, chamada Cassandra como a mãe, foi sua melhor amiga durante toda a vida. Na adolescência Austen escrevia comédias, e seu primeiro livro bem acabado foi Lady Susan, escrito em forma epistolar, quando a autora tinha dezenove anos. Em 1797 ela já havia escrito dois romances, Razão e Sensibilidade (primeiramente chamado de Elinor and Marianne) e Orgulho e Preconceito (originalmente, First Impressions).

Oferecidos pelo pai da inglesa a um editor, os livros foram rejeitados. A publicação dos títulos ocorreu só em 1811 e 1813, respectivamente, e assinados com o codinome de “uma senhora”.

A vida amorosa de Austen

Para surpresa dos fãs, existem registros de não apenas um... Mas dois casamentos da escritora!

Pesquisadores dos arquivos da cidade de Hampshire descobriram que, quando adolescente, ela criou as próprias certidões falsas de casamento com dois homens diferentes. Jane tinha acesso fácil ao registros de casamento porque seu pai era o pastor da paróquia de Steventon. E justamente no cartório do vilarejo estavam os documentos forjados pela jovem cheia de imaginação.

Eles anunciam a sua união com um homem chamado Henry Fitzwilliam, de Londres, e com Edmund Mortimer, de Liverpool. Não se sabe ainda se eles existiram ou se também foram criados por ela. “Esses documentos únicos revelam um aspecto particular da personalidade de Jane. Ela devia ser adolescente quando escreveu esses certificados falsos, que revelam um lado brincalhão dela”, disse o assessor de cultura de Hampshire, Andrew Gibson, ao site da prefeitura da cidade.

Jane, cujas heroínas, sujeitas aos costumes patriarcais da época, lutam com a ideia de precisar encontrar estabilidade financeira e status social no casamento, nunca se casou de fato com ninguém. Mas a proximidade dos textos que criou com sua vida levam a uma leitura autobiográfica da obra, e acredita-se que ela teve, sim, interesses amorosos.


Segundo o relato de conhecidos, a adolescente Jane era confiante, espirituosa e muito empenhada na caça a um marido. Provavelmente foi alvo do interesse de mais de um rapaz, embora seu envolvimento mais conhecido seja com o irlandes Tom Lefroy - que resultou no filme Becoming Jane (Amor e Inocência).

Austen e Lefroy se conheceram num baile quando ele visitou Steventon, em dezembro de 1795. O rapaz havia terminado o curso de Direito e estava se mudando para Londres para trabalhar. A família dele, pobre e numerosa, contava com isso para se manter.

Jane escreveu à irmã Cassandra: "estou quase com medo de dizer como eu e meu amigo irlandês nos comportamos. Imagine tudo de libertino e chocante na maneira de dançar e sentar juntos." Uma narrativa como esta, vinda de Jane, significa que os dois trocaram boas risadas e se divertiram da maneira mais inocente que possamos imaginar.

Ao perceber o envolvimento, a família de Lefroy interveio e mandou-o embora, cerca de um mês depois. O casamento era impraticável, já que nenhum deles tinha dinheiro. Austen nunca mais o viu. Numa carta para a irmã Cassandra, ela diz: "Finalmente o dia chegou em que flertarei pela última vez com Tom Lefroy e quando você receber esta carta, tudo terá acabado. Minhas lágrimas correm enquanto escrevo diante da idéia de melancolia."

Alguns sugerem que ela tenha se inspirado nele para criar o Sr. Darcy, o que é razoável, já que o livro foi escrito na mesma época. Eu já acho que as atitudes dele se aproximam mais das de John Willoughby, de Razão e Sensibilidade, que dá as costas à apaixonada Marianne Dashwood pelo casamento de conveniência com uma mulher rica.


Quando soube da morte de Jane Austen, Thomas Lefroy viajou de Portugal para a Inglaterra para prestar suas homenagens. Mais tarde, nos últimos dias de vida, Lefroy confessou ao sobrinho ter amado a escritora. Este depois escreveu: "Meu falecido e venerado tio... Disse com tantas palavras que estava apaixonado por ela, embora amenizasse sua confissão, falando que era um amor de menino". Coincidentemente ou não, Tom deu à sua filha mais velha o nome de Jane.

Mas, apesar de muito badalado, o sentimento por Lefroy pode não ter sido o mais profundo da escritora. O envolvimento mais misterioso de Austen é uma história não corroborada sobre um "romance à beira-mar" que ela poderia ter tido na virada do século, em Sidmouth. No recente documentário Jane Austen: Behind Closed Doors, da BBC, a historiadora Lucy Worsley cita um trecho de uma carta em que Cassandra Austen fala do interesse sincero desse homem desconhecido por sua irmã (veja o video no final do post).

Seria ele o amor da vida de Jane? O jovem teve que deixar a cidade, mas prometeu voltar em breve. O coração dela deve ter-se enchido de esperanças... E então, os Austen receberam a notícia de que ele havia morrido! Um final trágico para o cavalheiro que, supostamente, teria sido a inspiração para o Capitão Frederick Wentworth, de Persuasão - um amor do passado que reaparece na vida da heroína, já madura, disposto a reconquistar seu coração.

Pouco tempo depois, em dezembro de 1802, Jane e sua irmã estavam visitando as amigas Alethea e Catherine quando o irmão mais novo delas, Harris Bigg-Wither, propôs casamento e foi aceito. Jane era 6 anos mais velha que Harris e bem mais inteligente, e depois do que deve ter sido uma noite agonizante de pensamentos confusos, Jane deixou a casa abruptamente, interrompendo seu curto compromisso apesar da segurança financeira que ele traria.

Parte de sua decisão de não se casar com Harris provavelmente foi pela falta de um sentimento realmente poderoso: se estivesse apaixonada, Jane teria deixado muito pouco em seu caminho. Ao escrever à sobrinha Fanny Knight, que estava pensando em fazer uma casamento de conveniência, disse: "Nada pode ser comparado com a miséria de estar ligada sem amor".  Lizzie Bennet certamente reflete a própria opinião de Jane quando deplora a aceitação do Sr. Collins por Charlotte Lucas em Orgulho e Preconceito, achando-a humilhante, uma receita para o desastre.

O mistério sobre a morte

Jane morreu em 18 de julho de 1817, aos 42 anos, depois de sofrer durante dois anos com sintomas que nenhum médico conseguiu tratar adequadamente. Ela tinha fraqueza, dores reumáticas e pele despigmentada. No final, sua exaustão era tanta que não conseguia mais sair da cama. A autora deixou inacabado o sétimo romance, Sanditon.

A teoria mais difundida entre os especialistas é de que Jane Austen tenha morrido de doença de Addison, mas também se especula que a doença fatal possa ter sido linfoma de Hodgkin, lupus ou tuberculose. Ela foi sepultada na Catedral de Winchester num memorial que, embora demonstre o quanto era querida pela família, não cita sequer um dos livros que escreveu.

Agora, uma nova pesquisa realizada pela British Library sugere uma possibilidade mais dramática: envenenamento por arsênico, um metal pesado que, apesar de perigoso, era comumente usado em medicamentos naquela época, e que poderia até mesmo contaminar a água potável. A conclusão foi baseada na análise de três pares de óculos que, supostamente, pertenceram à escritora. Eles mostram que a pessoa que os usava tinha uma deterioração considerável da visão. Essa deterioração sugere catarata, o que é indicativo de envenenamento por arsênico.

Sandra Tupen, curadora dos arquivos e manuscritos da British Library, escreveu: “Sabíamos que ela tinha problemas de visão, porque em diversas ocasiões se referiu a isto”, enfatizando que um envenenamento não intencional com arsênico era “muito comum” naquele período. Em 2011, a escritora Lindsay Ashford já havia aventado essa hipótese em um de seus livros de ficção policial. Depois de pesquisar técnicas forenses modernas e venenos para suas novelas, Ashford imediatamente percebeu que os sintomas poderiam ser atribuídos a envenenamento por arsênico, que pode provocar uma pigmentação estranha em que partes da pele ficam castanhas ou pretas enquanto outras áreas ficam brancas.

Mas nem todos aceitam a tese do arsênico. Janine Barchas, especialista nas obras da escritora da Universidade do Texas, em Austin, qualificou a tese do arsênico como “temerária”. E embora Ashford ache interessante ver os ossos de Austen passando ​​pela análise forense moderna, ela aceita que é improvável que isso aconteça. "Posso entender que as pessoas ficariam indignadas com a ideia", disse.

Os melhores vídeos sobre Austen na Internet:

Jane Austen: Behind Closed Doors, docudrama de 2017, é novo no YouTube. Meu conselho é que assistam logo pois nunca se sabe por quanto tempo vai permanecer disponível. O programa explora as diferentes casas que Jane Austen visitou ou em que viveu para descobrir o quanto elas moldaram a vida e os romances da escritora.

Em uma jornada que a leva pela Inglaterra são mostradas propriedades que ainda existem, desde grandes casas senhoriais até apartamentos de férias à beira-mar, numa visão reveladora de uma das autoras mais amadas do mundo. Está em Inglês, com legendas no mesmo idioma:



Literature - Jane Austen: Esse é curtinho, tem menos de oito minutos, e é bem divertido. É um guia com "as 4 coisas que Jane Austen quer te ensinar" (em Inglês, com legendas no mesmo idioma):



GloboNews Literatura - Orgulho e Preconceito faz 200 anos: O programa mostra a casa onde Jane morou, fala sobre suas fãs brasileiras e as adaptações de seus romances para as telas:


Trailers e trechos de filmes:

Aqui, uma seleção das obras de ficção mais famosas. Começando com um trecho legendado de Becoming Jane (Amor e Inocência), biografia ficcional da autora. Na biblioteca de uma mansão, Thomas Lefroy (James McAvoy) e Jane Austen (Anne Hathaway) tem uma conversa bem sugestiva:


Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade): o filme conta a história das irmãs Dashwood, a racional Elinor (Emma Thompson) e a apaixonada Marianne (Kate Winslet), cujas chances de casamento parecem perdidas após a repentina perda da riqueza da família. Alan Rickman, Hugh Grant e Greg Wise co-estrelam como os pretendentes que se vêem aprisionados pelas armadilhas das estritas normas da sociedade da época:


Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito): trailer do filme de 2005 que retrata a imortal relação de amor e ódio entre Elisabeth Bennet (Keira Knightley, numa elogiada atuação) e Fitzwilliam Darcy (Matthew MacFadyen):


E, finalmente, o trailer da icônica adaptação de 1995 para a TV!

Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito): A adaptação de seis episódios teve Jennifer Ehle como uma Lizzie Bennet de olhar e sorriso marotos e Colin Firth como o Mr. Darcy mais insuperável de todos os tempos ever (coloque aqui o superlativo de sua preferência).

Em que pese a idade da gravação, continua sendo uma versão definitiva.


Por incrível que pareça na época da produção houve dúvidas de que Firth pudesse ser um bom Mr. Darcy. É o que revela o roteirista Andrew Davies em Pride and Prejudice 15 years later, um revival em 4 partes falando sobre a adaptação da obra de Austen. Nele, quem trabalhou na minissérie comenta os momentos memoráveis e conta histórias de bastidores sobre figurino, locações, a escolha e o trabalho dos atores. Em Inglês:


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